O instrumento que o psicanalista usa para compreender o sintoma de seu analisando se chama "interpretação". É sua ferramenta para operar o dispositivo psicanalítico na busca de um caminho significativo entremeio a grande floresta enfeitiçada pelos desejos inconscientes de cada sujeito. É uma floresta encantada, com duendes, fadas, lobos maus, bruxas malvadas, princesas, feras e herois, funcionando a revelia da pessoa - que pensa estar no comando de suas ideias - sendo arrastada por essa trama de pensamentos, fantasias, desejos e pulsões, sob a sombra de sua consciência.
A interpretação é, então, o operador verbal, que deixa ver os ecos e luzes desta obscura floresta; ecos e luzes que surgem na forma de atos falhos, lapsos de língua, esquecimentos, sonhos, devaneios, chistes; e também no "como" a pessoa diz seus pensamentos e sentimentos; no ritmo, intensidade, conexão emocional com os outros e um sem número de associações livres. Na verdade, a livre associação de palavras pede a interpretação do analista.
Mas ai do analista que esquece que cada palavra tem um significado particular a cada pessoa. Acabará impingindo ao analisando sentidos estrangeiros a ele e fracassando ao entrar em contato com sua realidade singular. Isso porá a sucumbir todo o esforço da dupla - analista e analisando soçobram no mar de significados sem sentidos para ambos e a embarcação analítica não resistirá a borrasca da insatisfação.
Por isso o método psicanalítico implica que, além de ser respeitada a singularidade do analisando, o analista tenha, ainda, o cuidado de ter sempre em vista que o analisando seja dono de sua própria ressignificação, abstendo-se o analista de "ensinar", "orientar" ou "estudar" a história pessoal que se descortina (ou que se cerra obstinadamente) aos seus ouvidos.
Ao psicanalista resta expor o discurso do analisando. Um discurso que o analisando recusa, resiste, desloca; um discurso-sintoma de uma realidade psíquica que o analisando não cederá à luz a não ser com muito esforço. Finalmente, o analista não pode expor este sintoma, antes que o analisando tenha preparo para dele fazer uso significativo. Errando este timing, quase tudo terá sido em vão. Por isso, psicanalista e analisando devem ter a paciência de um artesão, deixando que o objeto a ver se mostre em seu tempo próprio.
A interpretação é, então, o operador verbal, que deixa ver os ecos e luzes desta obscura floresta; ecos e luzes que surgem na forma de atos falhos, lapsos de língua, esquecimentos, sonhos, devaneios, chistes; e também no "como" a pessoa diz seus pensamentos e sentimentos; no ritmo, intensidade, conexão emocional com os outros e um sem número de associações livres. Na verdade, a livre associação de palavras pede a interpretação do analista.
Mas ai do analista que esquece que cada palavra tem um significado particular a cada pessoa. Acabará impingindo ao analisando sentidos estrangeiros a ele e fracassando ao entrar em contato com sua realidade singular. Isso porá a sucumbir todo o esforço da dupla - analista e analisando soçobram no mar de significados sem sentidos para ambos e a embarcação analítica não resistirá a borrasca da insatisfação.
Por isso o método psicanalítico implica que, além de ser respeitada a singularidade do analisando, o analista tenha, ainda, o cuidado de ter sempre em vista que o analisando seja dono de sua própria ressignificação, abstendo-se o analista de "ensinar", "orientar" ou "estudar" a história pessoal que se descortina (ou que se cerra obstinadamente) aos seus ouvidos.
Ao psicanalista resta expor o discurso do analisando. Um discurso que o analisando recusa, resiste, desloca; um discurso-sintoma de uma realidade psíquica que o analisando não cederá à luz a não ser com muito esforço. Finalmente, o analista não pode expor este sintoma, antes que o analisando tenha preparo para dele fazer uso significativo. Errando este timing, quase tudo terá sido em vão. Por isso, psicanalista e analisando devem ter a paciência de um artesão, deixando que o objeto a ver se mostre em seu tempo próprio.

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